sábado, 28 de março de 2009



“Eu quero te dizer algo
Espero que você entenda
Quando ouvir esse algo que eu tenho a ti dizer
Eu quero segurar a sua mão
Por favor, diga pra mim
Você me deixa ser seu amor?”
(Beatles, I Wanna Hold Your Hand)




Quebrado em mim esperanças
Opaco meus olhos em tuas lembranças
Meu sujeito desfeito de tuas carícias
O corpo desfalece de tanta carência
Minha identidade não me caracteriza mais
Minha canção já não tem mais ondas no ar
Meu ar tem se sentido vazio
O sentido pra mim, já não está mais aqui
A foto de minha habilitação não estampa minha feição
Estampa a tua sorrindo pra mim
Dizendo assim:
“Vou amor, quero que o tempo passe”
Ando me sentindo sem sentido
Como se tivesse retomado um passado duramente vivido
Vem você me deixar sozinho
Pra recolher a si próprio para um caminho de “por enquanto” estável
Até tudo retornar a ser degradável
Não queria o fel amargo da solidão
Mas parece que esse me é o único caminho.
E você se vai feito aparição
Da mesma maneira que surgiu de ante da minha visão

Eu quis ser mais feliz
Acreditei que tudo que vi foi lindo e decente
Muito mais feliz que qualquer outro feliz humano anterior
Hoje não tenho mais noticias, não sei ser mais contente.

(Hélio Rocha)


E para falar de música eis o disco do Marcelo Camelo, que com sua "janta" que resumi todos os meus últimos sentimentos:


domingo, 15 de março de 2009



Esta noite: Chico Ferdinando
Alex Kapranos pede distância enquanto tentam reanimar seu amigo de banda em uma sargeta qualquer de uma rua qualquer em Glasgow, ou não? Tanto que ele, este vocalista bem trajado, convidou todos a ficarem loucões em Ulysses! Deve de ser overdose de doce, de dança, de Disco. Apologia a noite e seus vícios. Uma capa metafórica para um disco aguardado. Pela primeira vez o Chiquinho não me apareceu com uma camisa bonita e diferente da moda corrente. Sua camisa é bonita Chiquinho, mas qualquer loja de departamento tem de monte, se você sair com ela por aí vai encontrar seu igual pra montar um par de vasos.
Agora falando sem rodeios, Tonight: Franz Ferdinand trouxe o Franz Ferdinand ainda mais New Rave, ainda mais sintetizado e a predominância da guitarra perdeu espaço para os sintetizadores analogicos maciçamente ultilizados por todas as novas bandas que querem fazer algo melhor que o B-52´s. Talvez eu quisesse um Franz Ferdinand mais Arctic Monkeys do que The Killers (Day and Age) e se isso não fosse possivel o meio termo seria o bastante. A voz do Alex está cada vez melhor, mas toda a hora eu fico pensando: "no lugar desse sintetizador deveria haver um rife de guitarra contagiante".
Eles passaram pela síndrome do segundo disco fazendo um "If do so much better" não melhor que o primeiro disco mas tão bom quanto. Neste disco(Tonight...), eles me trouxeram sensações mornas enquanto o que eu queria mesmo era um "this fire" ou um "Do You wanna". Mas é bom um material novo do Chico, novas músicas são sempre bem vidas e eu tenho paciência, ou seja, posso continuar a ouvir o disco pra eleger as melhores partes que, por enquanto, estão por baixo da poeira do New Rock Britânico.
Apesar de não ter adorado-amado esse disco, era um disco que eu queria muito ouvir, sou fan do Chico Ferdinando e quem sabe daqui a algum tempo eu não o ouça novamente com o coração aberto pra tudo que está sendo chupado dos anos oitenta e goste muito?! Obrigado ao meu irmão pelo presente de aniversário (meu Irmão que me deu esse disco), era o que eu queria! TE AMO, VISSE?!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

"As canções de amor que escreví um dia que nem têm melodia, só emoção".

Você é luz pros meus olhos opacos
Você é o vapor do cozimento do meu amor
Você é o vidro das minhas lentes de correção
Você é a desilusão pro dom que eu achava que tinha de me iludir
Você é acordado no meu sonho
Você é um acordo honrado, selado, homologado, autenticado de uma certa paixão
Você é a adoração que eu tenho pelas canções do coração
Você é o meu perfeito refrão
Você é a inspiração que toma minhas mãos e faz a caneta derreter
Você é o pautado da minha dissertação
Você é a estrela que se destaca no meu céu emanharado
Você é o paladino da minha salvação
Você é o paladar da minha língua
Você faz parte da minha deglutição
Você é um deus na minha mitologia
Você é a linha guia iluminando uma solidão
Você é a flor destinada a me machucar a mão e me apaixonar com seu botão
Você é o calor pra secar minha emoção
Você é a correção de um borrão de vida
Você é alegria líquida
Você é a palavra que você procura pra expressar-se, mas só eu sei o que significa.
Você tem os passos que gosto de acompanhar
Você é o fôlego que gosto de tomar
Você é o ar condicionado para combater o calor do meio dia, pra ter motivos para me esquentar
Você tem os sensores na pele que eu gosto de alardear
Você tem os pêlos que gano arrepiar
Você é vento, arrisco afirmar você é mar, brisa, cheiro de amar.
E eu sou tudo que gostas de ver-se alegrar.
E alegra-me ao meio dia
Ao almoçar
Alegro –me ao fim do dia
Ao jantar-te
Ao comer-te
Ao amar-me
Feito um cardápio de mil iguarias preu escolher sempre você em uma nova opção
E quando não te tenho ao sol ou ao luar
Ou quando não vens pra me buscar ou me deixar
Tudo vira fantasia?
Pensaria, será ficção?
Minha paixão, acredite que não
Qualquer mensagem é uma grande alegria
Qualquer ligação.
Com você aprendi a voar sem sair do chão
E nunca mais solidão.


PARA OUVIR APAIXONADAMENTE:
Cibelle é a síntese de uma tropicália pós-tropicália. Dada a experimentalismo na musica pop e na mpb, ela arrancou meu coração e fez colagens, misturou emoções em mim, me tonteou, me faz rir e chorar e embala minha paixão.
Depois de muito tempo rodando na net atrás desse disco, conseguí finalmente comprar. E fisicamente ele soa e parece ainda mais perfeito que em mp3. Tanto fez que me inspirou a compor este texto ai em cima.
Assim como têm me inspirado uma outra grande inspiração.
Para baixar e se emocionar, fácil:

sábado, 25 de outubro de 2008

A orientação sexual da música pop


A música pop é como a vida, arrisco até dizer que música pop lhe escolhe os amigos, música pop te insere num nicho social, num nicho compatível ao gosto de cada individuo, a música pop pode fazer parte da construção do caráter de um cidadão e daí chega ao ponto que eu queria atingir: A música pop que uma pessoa ouvi diz muito sobre sua orientação sexual... Quantos amigos gays você tem que são fans do Iron Maden? Ou quantos amigos héteros ( realmente ) você conhece que são fans da Madonna? Provavelmente poucos. É assim que se formam os estereótipos, e as pessoas colaboram com isso não se permitindo sair do seu círculo de convenção moral de isso é gay e isso é hétero, más pior ainda é o público gay que consegue ser repugnante pregando o radicalismo musical, vulgarizando as coisas, com uma necessidade quase doentia de estar antenado na última diva anoréxica semi nua e sem cérebro produzida por algum produtor da modinha.
Deixemos o radicalismo de lado, tudo na vida que é descrito e sentido com excesso pode atrapalhar nosso poder de crítica e nossa capacidade de respeito ao que é alheio, deixemos também de sermos restritivos pois a música pop pode dizer muito a respeito da orientação sexual de uma pessoa más nunca defini-la.


REALISE DE STARS... (RUFUS WAINWRING)

Paulo achou esquisito, Ruy pediu pra mudar… O Rufus Wainwring precisa de tempo e dedicação para ser entendido, é daqueles sons que não se entendem na primeira audição. Mas quando você pega o espírito da coisa, é improvável não se emocionar. Cantor canadense radicado na cidade de Nova York é um dos cantores mais refinados e afinados que eu já ouvi. Gay de natureza excêntrica, ele desconstroi o estereotipo da cultura homossexual de geralmente fazer musica pra pista. O Rufus calca suas melodias numa sonoridade folk e alguns momentos mistura orquestrações criando um ambiente operístico na música pop. Ao vivo é capaz de debulhar uma platéia em lágrimas e na mesma canção fazer rir como um comediante de stand up com seu sarcasmo fino. Realise The Stars é o disco mais pretensioso da carreira do Rufus, produzido pelo próprio cantor e co-produzido por um dos caras do pet shop boys, tem desde baladas dramáticas até música de cabaré parisiense. É disso que a música pop americana precisa é não de mais filhotes abortados da Madonna.
baixe já :

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Funk como me gusta


O Brasil é um país sexual por excelência.
Quando o “pancadão” veio á mídia assustou muita gente com suas letras de sexo apelativas, homens que degeneravam a imagem da mulher chamando-as de cachorra ao som de uma batida seqüenciada de um dj de fundo de quintal. Era imensamente constrangedor ligar a televisão no domingo, como num freak show onde as anomalias principais eram bundas de tamanho inimagináveis. Os anos noventa foram realmente uma loucura para os adolescentes que estavam descobrindo os prazeres do sexo ainda por suas próprias mãos. Não era preciso o constrangimento de ir ao uma banca de revista comprar “a mulher pelada do mês”, porque ela estava na sua casa, pegando o sabonete na banheira do Gugu enquanto a outro mão pegava no membro do pagodeiro pra posteriormente resguardar uma gorda pensão alimentícia ou mesmo descendo na boquinha da garrafa enquanto o câmera-man capturava o seu melhor ângulo : o de trás. Duas das forças musicais brasileiras, o axé e o funk, promovendo a degradação assistida da mulher enquanto as mães desse Brasil sexual vestiam suas filhas pré adolescente como mine prostitutas baianas. Isso foram os anos noventa, os anos 2000 não soam diferente, enquanto o axé parece padecer de uma doença divinamente providencial. O funk se renova, depois das mascaradas agora temos o genial advento das mulheres frutas: mulher melancia, mulher morango, mulher pêra etc. Vez por outra tenho a certeza que esses fankeiros freqüentaram a mesma faculdade de publicidade que os pastores da igreja universal... O grande problema de todos esses Funks é levar a si mesmo a sério, é achar que estão fazendo um grande movimento musical. E na verdade estão fazendo algo tão descartável quanto papel higiênico cagado. Que bom que para toda cultura existe a contra-cultura, com funk não podia ser diferente. Deixe me citar alguns exemplos de contra-cultura dentro do funk carioca:

A UDR :
Faça uma lista de todas as coisas impróprias para serem colocadas numa canção: Escatologia (avião brutal do scat), sodomia (“bonde da multilação”), apologia as drogas (“orgia de travecos”), satanismo ( “Oh Mefisto”) e ofensas pessoais (“qro c do boned do role como fas rs //”). Temos ai a UDR, que são capazes de humilhar os próprios fans e mesmo assim soarem divertidos ( “todos os nossas fans são gays”). Nessa onda de humilhação eles não perdoam ninguém, de papai Noel e Jesus Cristo a thundercats e Serguey, aquele que comeu a Janis Jopplin. Eu aceitei UDR como meu salvador e viva a blasfêmia contemporânea.

O Bonde Do Role talvez seja a mais indie de todas, não é a toa que seja a mais hype, a piada do grupo e ser um grupo piada e não uma banda de verdade e isso é o que basta, não ser levado a sério, porque não é sério, é um impulso adolescente de criticar a cultura funk-carioca imitando até o sotaque carioca com destreza e avidez na língua. E acredite! se eles cantassem em inglês ninguém teria coragem de contratar-los para tantas turnês mundo a fora. “A máquina de ricota mudou as suas vidas”.

O Bonde das Impostoras é a crítica da crítica. Poucas coisas na vida me fizeram rir tanto quanto baile de new funk ou king dos blasé, vemos esses personagens vivos por ai, tomando conta do mundo, elegendo os hypes e os last weeks, com suas calças apertadinhas e seus lencinhos amarrados no pescoço.
- Daqui de Natal temos a mais nova novidade ( a redundância é necessária), um grupo de duas pessoas que são responsáveis por corromper nossa juventude perdida nos anos 90: Emblemas Band , é o que dá misturar spice girls+udr+bonde do role+todas as divas junkies+sexo casual em uma garrafa de pitu e beber de um gole só. Passei mal, ah uhuu eu vou ligar pra samu, passe mal, auhu eu vou ligar pra samu. Quero glicose!

Agora você já foi iniciado na contra-cultura do funk carioca que vem de Curitiba, de Minas Gerais e de Natal, existe mais, procure, sempre há de haver algo mais baixo nível do que ver o É o Tchan na tv.
Para ouvir bem alto:
se você não tem myspace e quer baixar as musicas é só você pedir a Danina, ela entrega em casa e a satisfação é garantida.
UDR- Para você ser iniciado nessa nova onda de fazer crescer o pau: